sábado, 30 de agosto de 2008

Mata atlântica cada vez menor

Atlas aponta áreas desmatadas nos últimos cinco anos e indica que só sobraram 7,26% desse bioma

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O mapa mostra, em verde, os remanescentes da mata atlântica – a cobertura vegetal original aparece em amarelo. (reprodução/Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica)



Acabam de ser divulgados números preocupantes sobre o estado atual do mais devastado dos biomas brasileiros. A nova edição do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica revela que, embora o ritmo de desmatamento tenha diminuído, restam apenas 97.596 km² dos 1,3 milhões de km² da mata – isso equivale a apenas 7,26% da cobertura vegetal original. Em alguns estados, a tendência é a redução das áreas de mata.

O atlas está disponível na internet e foi elaborado por uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Para a elaboração do documento, foram usados dados gerados por satélites entre 2000 e 2005, em 16 dos 17 estados onde há mata atlântica, correspondentes a 98% do bioma – apenas o Piauí não foi avaliado.

A mata atlântica está mais ameaçada na Bahia, em Minas Gerais e Santa Catarina, onde ela ainda ocupa áreas significativas, mas que têm sido alvo preferencial do desmatamento. Já os demais estados cobertos por esse bioma, como Rio de Janeiro e São Paulo, contribuíram para que o percentual nacional de derrubada dessa mata fosse reduzido em 69%.

Essa redução, no entanto, não é de se surpreender, já que quase não há mais o que desmatar nesses estados, como aponta Marcia Hirota, diretora de gestão do conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica. “Boa parte do que restou da mata se encontra em locais de relevo acidentado, de difícil exploração”, esclarece Hirota. Segundo a pesquisadora, as ações do poder público, dos órgãos governamentais, das ONGs e da sociedade mais conscientizada também contribuíram para reduzir o ritmo do desmatamento.

Desmatamento formiga
Isso não significa, porém, que cessaram as pressões sobre o bioma. “No Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo, prevalece o chamado ‘desmatamento formiga’, pequeno demais para ser detectado pelos satélites, mas que não deixa de causar estragos”, alerta Hirota. “Geralmente, ele é feito para a construção de empreendimentos imobiliários”.

Os dados divulgados no atlas contrariam as estimativas recentes do governo federal de que existe ainda 20% de cobertura vegetal característica de mata atlântica no Brasil. A divergência se explica pelo método usado nas duas estimativas: o governo considera os estados intermediários de regeneração da floresta; já o atlas leva em conta apenas as áreas com mata original.


Andressa Spata
Ciência Hoje On-line
28/05/2008
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/120847

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Carta de uma arqueóloga do presente

por Niéde Guidon*



"Caro colega do futuro,

Você está quase no final de um século que vi nascer. No exercício de minha profissão, encontrei indícios, vestígios, e propus hipóteses sobre como vivia o Homem do passado, como usava suas ferramentas, como preparava suas armas.

Meu caro colega, mesmo não sabendo como você é - talvez uma máquina inteligente -, escrevo-lhe como se estivesse dirigindo-me a um Homem. E escrevo-lhe com a emoção de um Homem. Um Homem desse início de século que nos abriga. Caso encontre dificuldade em entender-me, tenho certeza de que poderá recorrer a sofisticados dicionários, a sofisticados programas para computador, que lhe permitirão descobrir o sentido exato das minhas palavras.

No início, todos os Homens viviam como caçadores-coletores. Para adquirir conhecimento e conviver com as outras espécies da natureza, para sobreviver com os parcos recursos biológicos que tinham, esses Homens necessitavam de grande coesão social. O saber era passado dos adultos para os jovens, igualmente. Sabiam que não podiam ter proles numerosas porque, ao contrário dos outros animais, o filhote humano levava anos para aprender e ser capaz de sobreviver só. Todos executavam todas as tarefas, todos eram iguais. Os chefes comandavam com base em sua força física, que, como todos os recursos biológicos, nasce, atinge seu apogeu e definha. Assim, um chefe exercia seu poder durante um tempo limitado, até que um outro membro da tribo, mais jovem, mais forte, o suplantava.

Os Homens temiam a natureza, reconheciam seu poder, um poder que, para eles, emanava de entidades sobrenaturais. E essas entidades sobrenaturais comandavam as águas, os ventos, o fogo, os astros. Seres que viviam por sua conta e cuja passagem pela vida dos Homens era eventual. Os espíritos!

Em um momento dado de nossa história, alguém imaginou como fazer para garantir um poder mais duradouro, que não dependesse unicamente dos recursos biológicos. Como a morte é um fenômeno que assusta a todos os animais, esse alguém imaginou uma história que tratava do além, da existência de seres sobrenaturais, da boa vontade dos quais dependeria a vida e o destino pós-morte de todos os Homens. Os Deuses!

Nesse momento começaram a se diferenciar os Homens. (...)"


Leia o texto completo em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=7336


* Escrito para a seção Ao Arqueólogo do Futuro, da Agência Carta Maior, 01/09/2004.

sábado, 2 de agosto de 2008

Mas afinal, o que é Geografia?

Xeretando na internet pelo termo "geografia", acessei o site Wikipedia* e encontrei que "é uma ciência, cujo objetivo é o estudo da superficie terrestre, da distribuição espacial e das relações recíprocas dos fenômenos físicos, biológicos e sociais que nela se manifestam".

Pelo que estudei durante minha formação, concordo. Até porque, quem estuda os fenômenos além da fronteira terrestre - em nível espacial - são os físicos, astrofísicos e astrônomos.

Ao iniciar minha graduação em Geografia, os colegas e eu nos perguntávamos sobre as Geografias, a Física e a Humana. Independente de alguns pesquisadores, autores, geógrafos e interessados da área em geral, considerarem esta divisão pertinente e consistente, ela existe de fato.

Porém, para outros, a Geografia somente é Geografia, quando abarca as várias diferentes camadas do espaço - físicas, naturais, biológicas, humanas, sociais, culturais... Um dos professores que tive, mais precisamente Dirce Suertegaray, considera o espaço geográfico como uno e múltiplo. Pois, além de um mesmo recorte espacial abranger diferentes conceitos balizadores da Geografia, isso também permite entendê-lo através de diferentes escalas, da macro/global, meso/regional e à micro/local.

Gostaria enfim, que o entendimento da disciplina em nossas atividades, nas leituras, exercícios e discussões, fossem orientadas por esta perspectiva: do "espaço geográfico uno e múltiplo".

Mas sobre isso, que tal conversarmos em nosso primeiro encontro?

Grande abraço, turmas do Médio, e até mais... ;)









obs: N= natureza; S=sociedade


* A Wikipedia é uma enciclopédia livre eletrônica/virtual, onde são os próprios usuários colaboradores, responsáveis pelas informações ali contidas, bem como pela sua confiabilidade, veracidade e cientificidade dos dados utilizados em seus textos. Por isso, ao pesquisar por alguns termos, como "espaço geográfico", pode o próprio site indicar atenção quanto ao conteúdo, pela insufisiência de referências... Portanto, podem utilizar a Wikipedia, mas desconfiem, e consultem outras fontes. Então, te liga!

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